Dia dos namorados
- Lia Catarina Pessoa
- há 3 horas
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Celebramos o amor.
Confesso que me dá algum tédio toda aquela conversa, dita e repetida com a convicção de quem prega uma verdade absoluta, de que é só mais uma data criada exclusivamente para nos fazer gastar dinheiro. O capitalismo a funcionar, gastar por gastar, tal como o Natal e qualquer outra data comemorativa.
O que tenho alguma dificuldade em perceber, é onde é que consta a obrigação de gastar por gastar. Qual é a norma que nos obriga a comprar a caneca, o peluche ou a caixa de chocolates em forma de coração, a gastar mais do que queremos, ou mais do que podemos.
Já sabemos que as bugigangas, no dia seguinte, já foram despachadas para algum canto qualquer até que alguém tenha a coragem de as pôr no caixote das “coisas para dar”.
Mas não serão os dias, as datas e as pessoas um pouco o que fazemos delas?
Não será o dia dos namorados apenas mais uma possível bela desculpa para celebrar?
Precisamos mesmo das canecas, das prendas e de jantar no restaurante que inflacionou os preços naquele dia, com barulheira e atulhado de gente?
Não podemos, no sossego da nossa casa, preparar um bom jantar com uma garrafa de vinho a acompanhar (para quem dele gosta…). Colocar uma boa música. Dançar. Trocar beijos, mimos, namorar. Fazer o prato preferido dele/a. A sobremesa. Vestir a roupa que ele/a adora. Namorar. Conversar até perder as horas. Passar a noite num hotel ou acender umas velas, mesmo em casa.
Namorar mais um pouco.
Podemos fazer tudo isso em qualquer outro dia? Claro que sim! Mas a vida é corrida, com obrigações e compromissos que nos esgotam, nos acabam com a energia.
A minha empatia para quem, como eu, tem filhos. Temos que ser verdadeiros malabaristas se não queremos ver o fogo morrer com a chuva que não nos larga.
Que este dia sirva para isso, que se crie o compromisso.
Que se planeie. Que tudo o que pode passar a segundo plano, passe. Que o amor venha primeiro.
Pelo menos hoje.
E sim, feliz dia dos namorados! Feliz dia de São Valentim!

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